• Dr. Francisco Aníbal

Orelhas salientes em crianças: o olhar direcionado das pessoas e das pesquisas

As orelhas salientes são muitas vezes consideradas um estigma, supostamente chamando a atenção e influenciando negativamente a percepção das pessoas. Pais e tutores podem se fazer perguntas do tipo: 1. Ter orelhas proeminentes afeta a socialização das crianças e jovens? 2. Essa característica favorece alguma percepção indesejada a respeito das suas personalidades? 3. Há alguma solução médica que se apresente como alternativa para evitar problemas relacionados a isso ainda na infância? Médicos cientistas se fizeram questionamentos desta natureza e puseram em prática uma pesquisa para apurar como se dá a percepção em torno das orelhas salientes. As conclusões foram bastante intrigantes. Confira esse artigo até o final e construa as suas próprias impressões sobre o tema.


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Percepção de orelhas salientes - O que dizem as investigações

Foi realizada uma pesquisa com o objetivo de quantificar a atenção direcionada às orelhas salientes e seu efeito na percepção de traços de personalidade selecionados. O estudo se baseou na apuração de 20 observadores leigos confrontados com fotografias de rostos de 20 crianças e jovens (faixa etária, 5-19 anos) com orelhas salientes ou orelhas transformadas via software de computador para parecer não saliente. Após a observação, os observadores expuseram suas conclusões a respeito de 10 traços de personalidade percebidos com base nas imagens fotográficas. Os resultados foram reveladores. O tempo de fixação visual em orelhas salientes vs orelhas não salientes e as avaliações de personalidade dos observadores levaram à seguinte conclusão: Faces com orelhas salientes receberam a maior porcentagem de atenção visual, portanto, a característica é foco dos olhares externos. Quando contextualizamos essa temática no campo das interações entre crianças, alguns médicos alertam para o potencial de ser esse um fator atrelado a problemas de autoestima. Um dos autores da pesquisa, Dr. Alberto Tasman, pondera que as crianças desenvolvem uma consciência aguçada das pequenas diferenças entre elas e os outros. Por isso, o bullying por aparências diferentes começa geralmente após os cinco ou seis anos de idade. Assim, a cirurgia de correção das orelhas salientes, conhecida como otoplastia, é permitida e recomendada a partir dos 6 anos.

Otoplastia em alta no Ocidente

Embora não haja dados suficientes em relação a traços de identidade, a decisão dos pais de corrigir as orelhas salientes de uma criança costuma se basear no receio de que essa característica conduza à criação de suposições conscientes ou inconscientes sobre a personalidade delas em seus relacionamentos.

Para a Dra. Lisa E. Ishii, da Escola de Medicina Johns Hopkins, em Baltimore, o desvio das “normas” socialmente aceitas na aparência leva a penalidades na atratividade que podem ser evitadas com uma cirurgia de pequeno porte, ou seja, com a realização da otoplastia.

Ela também pondera que a maneira como os adultos percebem crianças com 'anormalidades' é provavelmente diferente de como são percebidas essas crianças ao se tornarem adultos em seu meio social. Entre adultos há outras possibilidades de interpretações.

Outro aspecto apontado pelo Dr. Tasman foi que essas percepções podem variar de acordo com o contexto cultural. Ele lembra que na Suíça a cirurgia estética para corrigir orelhas salientes é uma das cirurgias plásticas faciais mais comuns direcionadas à criança. Trata-se de uma opção com cobertura inclusive nos seguros de saúde.

De modo geral, nas culturas ocidentais, as “orelhas de abano” são vistas com uma carga negativa e o procedimento de otoplastia tem alta procura e aceitação social. Já em algumas culturas orientais, as orelhas aumentadas são sinônimo de vitalidade e longevidade. O que você pensa a respeito?

Correção de orelhas salientes na Aesthetics

Aqui na Aesthetics, além da verificação de um quadro clínico favorável, consideramos um bom candidato à otoplastia o paciente que expressa desconforto com esse aspecto em sua aparência. Esse desconforto é comumente associado à percepção do próprio paciente sobre si mesmo, mas, como vimos, essa construção pode ter influência de um histórico de opiniões externas que tenham potencialmente afetado a autoestima do indivíduo. No caso de menores de idade, a iniciativa é tomada por pais ou tutores conscientes das dificuldades sociais e afetação psicológica que as orelhas proeminentes podem causar ou já causam ao seu filho. Embora seja um procedimento de pequeno porte, vale lembrar que uma otoplastia bem sucedida requer atenção aos mínimos detalhes. Atente-se para que ela seja realizada por um cirurgião plástico devidamente habilitado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. ________

Se este artigo tiver sido útil para você, recomendo que confira também o nosso Manual da Otoplastia. Reunimos informações completas sobre o procedimento para preparar qualquer possível interessado nesta transformação.

No mais, eu e a equipe da AESTHETICS estamos sempre à disposição para esclarecer dúvidas sobre cirurgias plásticas e assuntos médicos relacionados. Basta entrar em contato.



Dr. Francisco Aníbal Passos de Brito - Cirurgião Plástico - CRM: 11.137 | RQE: 6.311


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